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4 de setembro de 2011

Sobre o homem ideal

Por Jéssica Miranda

É complicado falar sobre isso.

Não consigo achar que é possível montar o homem dos sonhos.

-  “Raspa um pouquinho mais o cabelo. “
- “ Não não não. Deixa o cabelo. Vê pra mim mais um pouco de limite no cartão de crédito dele. Mais  um pouquinho. Iiiisso, assim ficou bom!”
- “Agora coloca, por favor, muito apetite sexual e tira essa barriguinha de cerveja, que não ficou boa não.”

Não dá. Mesmo que isso fosse possível, esse homem montado do jeito certo pra você, certamente ainda não seria o homem da sua vida. Simplesmente porque o homem ideal chega sem avisar. Com ou sem barriguinha de cerveja, flamenguista, palmeirense, que diferença faz? Vem atropelando tudo e nem avisa que tá chegando. Ele vai te tirar os pés do chão assim mesmo, e te fazer sentir o frio na barriga mais gostoso do mundo porque vai beijar sua testa depois de dar um beijo na boca de tirar o fôlego. E o homem certo vai chegar quando você estiver pensando que ele nem existe, porque você nunca se acerta com um.

E embora isso tudo pareça um romancezinho água com açúcar, eu insisto em acreditar no amor. Acredito que pra todas as mulheres existe um homem que completa (inclusive pra mim. Ouviu aí né, Santo Antônio). Um cara pra quem você olha e pensa “eu vou casar com ele ”. E quando a gente imagina passar o resto da vida ao lado dele, tudo faz sentido.

A sensação que eu tenho é que as pessoas banalizaram tanto o amor e aprenderam tanto a fazer pouco caso dos relacionamentos, que ninguém mais se importa. Não se importa se vai machucar o outro, porque se o outro achar ruim, foda-se. Não se importa se o outro vai gostar do meu corte de cabelo, porque o cabelo é meu e eu corto do jeito que eu quiser. E aquela coisa de conquistar um dia e reconquistar em todos os outros, acabou. Os casamentos não sobrevivem mais às crises e, nem de longe, permanecem na alegria e na tristeza até que a morte os separe. Mas no fundo, acho que todo mundo tá de saco cheio disso e quer mais é viver um amor gostoso assim. Avassalador, gratuito, intenso. Mas insiste em mascarar, enchendo o peito e gritando pra quem quiser ouvir que “quem tem sorte é sortero”, não é isso? Será que distoar do restante do grupo foi proibido por lei e eu nem fiquei sabendo? (Chama a polícia, por favor).

Dá pra parar de ser foda e me esculachar na cama, e voltar a me mandar flores e abrir a porta do carro pra mim?

Sejam bem vindos à melhor forma de amar. Eu não abro mão. Alguém mais me acompanha?

9 de agosto de 2011

Desabafo - I

Por Jéssica Miranda




Em tempos de possessividade, em que namorou virou muito mais uma disputa por domínio que uma relação de gratuidade, eu me boto a pensar no tipo de homem certo pra me fazer companhia (se é que é possível idealizar algo assim). Eu não faço o tipo mulher-macha-super-bem-resolvida, daquelas que acham que o bom mesmo é viver sozinha e que é bonito ligar o foda-se e ser feliz. Mas tem coisa que, definitivamente, não dá pra aceitar, nem adaptar. Nada.

Quem me conhece sabe de que forma eu fui criada. Sabe que, durante toda a minha vida, eu presenciei brigas entre meus pais, por incompatibilidade de gostos, por crise financeira, mas nunca (nunca mesmo) por ciúme. Na verdade, nenhum dos dois nunca ousou tentar privar o outro de ter liberdade. E eu não consigo enxergar outra forma de me relacionar com alguém que não essa.

Acho que pessoas intransigentes pedem pra serem enganadas porque sufocam o outro. Individualidade não é crime. Errado mesmo é achar que alguém pode tomar as rédeas da vida de outra pessoa e querer que ela abra mão de tudo que fazia antes do namoro, ou do casamento, que seja. Quem foi que disse que eu não posso ir pra balada com um grupo de amigas e me acabar de dançar só porque tenho um namorado?

A maldade está nos olhos de quem vê, não em mim.

Respeitar o espaço do outro é uma virtude, e é pra poucos. Por que é que eu tenho que me anular pra viver pra um homem, se antes de ele me conhecer existia a minha vida e a vida dele? 

Se é pra ficar junto, que seja pra somar. E a conta é fácil, mais ou menos assim:

minha vida + vida do namorado = minha vida + vida do namorado + vida do casal. 

E é lindo estabelecer esse tipo de relação, porque só reforça o conceito de respeito e confiança. Uma coisa do tipo “a nossa liberdade é o que nos prende”, sabe? (Beijo, Jota Quest).

Confesso que a essa altura eu já nem sei se sou regra ou exceção. 
Mas sei que a tolerância aqui é ZERO pra falta de tolerância. 
#Fica a dica.



1 de agosto de 2011

MULHERES SÃO COMPLICADAS (ou Mulheres x Carros)

Por Jéssica Miranda

#Fato.

Os homens vivem reclamando por aí, dizendo que mulher deveria vir com manual de instruções. Mas aqui, ó, o que deve mesmo vir com manual é carro. (E vem!) Isso sim é coisa difícil.
Meu carro, definitivamente, tem sido um pesadelo. Pra mim e pro meu orçamento (Oi??). Computem aí, minha gente:

-1 cabo de embreagem arrebentado;
-1 bateria trocada;
-1 kit de embreagem trocado;
-1 bomba de gasolina queimada;
-1 motor fundido (senta e chora).

O motor fundido foi a última façanha. O mecânico disse que vazou óleo e eu continuei andando com o carro. Antes que perguntem: não tinha nenhuma luz no painel que indicasse falta de óleo. Um amigo disse que outro sinal é um barulho de lata batendo no motor. O barulho eu ouvi, mas como é que eu ia saber que um barulho infernal daquele era sinal de carro sem óleo? Que dia nessa vida de meu Deus alguém tinha me contado isso? Daí que eu, boa condutora que sou, andava com o som alto pro tal barulho não me desconcentrar. Eu juro que já tinha programado de levar o carro pro mecânico no dia seguinte, mas não deu tempo. O carro apagou de vez na rodovia, quando eu tava indo pro trabalho. Sobrou um carro fundido (ou fodido, como queiram), uma mulher de salto num acostamento de rodovia e ZERO de dignidade.

Vou ali chorar as pitangas e já volto.

Jéssica Miranda"